Retrospectiva: 7 descobertas científicas impressionantes de 2020

Retrospectiva: 7 descobertas científicas impressionantes de 2020

4 de janeiro de 2021 Pesquisa Científica 0

O ano de 2020 foi dominado pelas descobertas relacionadas ao novo coronavírus. Porém, outras ciências continuaram em seus estudos e diversas descobertas são dignas de destaque. Por isso, a revista Nature elencou alguns dos principais acontecimentos deste ano. Confira 7 deles.

1. A violação da simetria matéria-antimatéria

Em abril, a Nature trouxe uma possível explicação para um dos maiores mistérios da Física: se matéria e antimatéria surgiram juntas no Big Bang e, portanto, deveriam ser simétricas, por que há muito mais da primeira atualmente?

O experimento chamado Tokai to Kamioka (T2k) mostrou possíveis violações da simetria através do uso de neutrinos. Os pesquisadores precisaram de 1 década para mostrar, por meio do disparo de neutrinos e antineutrinos no subsolo do Japão, que há uma chance maior de neutrinos oscilarem entre as propriedades físicas durante o trajeto de 295 km do experimento. Ainda assim, os resultados não atingiram os níveis de confiança em física de partículas, sendo necessárias mais algumas repetições da experiência (algo que pode levar anos).

2. A recuperação da camada de ozônio e a restauração da circulação de ventos

Um imenso buraco na camada de ozônio sobre o Ártico chamou a atenção em maio, mas o ano de 2020 também trouxe boas novidades sobre esse assunto. Desde o final da década de 1980, a humanidade tem olhado com mais atenção a camada de ozônio que protege a Terra.

Em 1987, foram proibidos os clorofluorcarbonetos (CFCs) e hoje os resultados desse ato já são mais mensuráveis. Houve uma restauração global da camada e também uma regeneração da circulação dos ventos, principalmente no Hemisfério Sul. Além disso, ocorreu uma diminuição na migração das correntes de ar para os polos, eliminando algumas anomalias no comportamento dos ventos, que eram causadas pela grande falha na camada de ozônio sobre a Antártida. Chamadas de correntes de jato, elas circulam a grandes altitudes e interferem nos padrões de chuvas e, provavelmente, também nas correntes oceânicas, ou seja, em todo o clima.

(Foto: Pixabay)(Foto: Pixabay)Fonte:  Pixabay 

3. O poder e o incesto de reis irlandeses

Na Arqueologia, uma das maiores descobertas foi a de configurações hierárquicas durante a Idade da Pedra, na Irlanda — potencialmente uma das mais antigas já documentadas. Entre 8000 a.C. e 5000 a.C., durante o período Neolítico, civilizações passaram a cultivar alimentos e se estabelecerem em alguns locais.

Assim, análises de DNA extraído de um homem enterrado na tumba do Conjunto Arqueológico do Vale de Boyne mostraram relações incestuosas, nas quais seus pais têm parentesco de primeiro grau, como irmãos, pai e filha ou mãe e filho. O incesto era muito raro nessa época, praticado apenas por dinastias consideradas divinas pelo povo. Logo, a existência da prática mostra que por ali se estabeleceu um clã muito poderoso e que seguia suas próprias regras. A preservação da linhagem sanguínea poderia ser normalizada pelo clã, visto que o indivíduo tem semelhanças genéticas com outros homens descobertos por toda a Grã-Bretanha.

A tumba Newgrange, no Conjunto Arqueológico do Vale de Boyne (Foto: Wikipedia)A tumba Newgrange no Conjunto Arqueológico do Vale de Boyne. (Foto: Wikipedia)Fonte:  Wikipedia 

4. Contando árvores do espaço

Em outubro, a Nature mostrou como os satélites estão ajudando a mapear as árvores da Terra com uma precisão impressionante. Análises de imagens de alta resolução foram capazes de contar 1,8 bilhão de copas de árvores em um espaço de 1,3 milhão de km² do Saara Ocidental e do Sahel, na África Ocidental.

Com cada vez mais satélites comerciais sendo usados para detectar objetos terrestres de menos de 1 m², o campo da análise do desmatamento, por exemplo, pode se beneficiar bastante das novas tecnologias. Esse avanço pode mostrar números mais reais do impacto do homem sobre o planeta.

5. A primeira FRB dentro da Via Láctea

Em abril, um intenso sinal de rádio chamou a atenção de cientistas. Chamada de explosão rápida de rádio (ou FRB, da sigla em inglês), ela foi a primeira do tipo detectada na Via Láctea. A curiosidade é que esses fenômenos eram seguidos de explosões de raios X mais intensos do que a média. Sua origem mais tarde foi detectada como sendo o magnetar SGR 1935+2154. Em apenas 1 milissegundo, ele liberou tanta energia quanto o Sol liberaria em 30 segundos! As primeiras FRBs foram documentadas em 2007, mas eram todas extragaláticas. Por terem uma duração muitíssimo pequena, elas são difíceis de captar e de analisar.

(Imagem: ESO/M. Kornmesser)(Imagem: ESO/M. Kornmesser)Fonte:  ESO/M. Kornmesser 

6. Cutucando o HIV latente

Os medicamentos antirretrovirais são extremamente eficientes para controlar o HIV dos pacientes. Entretanto, o vírus tem um estágio latente no qual ele se esconde dentro das células, não sendo mais detectado pelo sistema imunológico. Por conta disso, os pacientes precisam tomar a medicação por toda a vida, a fim de evitar que esses vírus escondidos voltem a circular.

Em janeiro, dois estudos mostraram avanços na detecção do HIV latente, levando a uma possível cura da Aids. São “tratamentos de choque” no qual o vírus é arrancado de seu esconderijo para ser eliminado. Funcionou em animais, mas ainda é preciso evoluir a técnica para a liberação de testes em humanos, mas ainda assim isso já é um sinal de esperança para as 37 milhões de pessoas em todo o mundo convivendo com o HIV atualmente.

Os vírus HIV saindo de um leufócito. (Imagem: Wikipedia)Os vírus HIV saindo de um leufócito. (Imagem: Wikipedia)Fonte:  Wikipedia 

7. O mecanismo do cabelo branco

A cultura popular sempre disse que se estressar demais gera cabelos brancos. Neste ano, a ciência provou que isso é uma verdade! Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, analisaram o que levaria os pelos de ratinhos a mudar de cor.

Primeiro, eles descartaram que o sistema imunológico estaria atacando os melanócitos, ou seja, as células que produzem a melanina e dão cor aos fios. Depois, eles viram que o cortisol, o hormônio do estresse, também não tinha influência. Porém, ao analisar o sistema nervoso simpático, que ativa as respostas de “fuga e luta” do organismo, os cientistas notaram a liberação de noradrenalina. Ela atua nos deixando mais alertas, mas ela também pode chegar até os fios através das ramificações dos nervos simpáticos até os folículos pilosos. Nos fios, essa substância acelera a destruição dos melanócitos, surgindo os cabelos brancos. Para piorar: depois que o fio é danificado, não há mais nada a se fazer.

(Foto: Pixabay)(Foto: Pixabay)Fonte:  Pixabay 

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